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     Dungeons & Dragon

Design & Desenvolvimento: Panteão
Uma Perspectiva Técnica
Escrito por James Wyatt
Arte Lee Mayer
Traduzido por Marcelo “Will” Stefani

A família de divindades da 4ª Edição será uma miscelânea de deuses antigos e novos. Os jogadores encontrarão rostos conhecidos, como Corellon, Moradin e Pelor, e alguns exemplos novos, como Zehir, Torog e Bane.

Isso mesmo, Bane.

Antes que eu explique o que o deus da tirania e da guerra de Forgotten Realms está fazendo ombro a ombro com Pelor, deixe-me esclarecer nossa linha de raciocínio durante a criação original desse novo panteão.

Houve um tempo em que a equipe responsável pelo trabalho sobre “o mundo” de D&D pensava que poderíamos criar regras genéricas que seriam úteis para os clérigos, a despeito do panteão que existiria no cenário de campanha, e então apresentar diversos panteões fictícios e históricos para que os Mestres os escolhessem ou os adaptassem conforme quisessem. Eu creio que foi Stacy Longstreet, a diretora de arte sênior de D&D, que nos avisou que essa solução restringiria ligeiramente nossas opções.

Quando quiséssemos inserir um templo em uma aventura, a qual divindade ele seria dedicado? É claro que poderíamos gerar alguns Templos Malignos Genéricos™, mas isso eliminaria grande parte da textura de nossas aventuras e descartaria ganchos de tramas específicos e seqüências de histórias baseadas nos aspectos e antecedentes destas divindades.

Quando fosse preciso incluir a ilustração de um clérigo em um livro, quais os símbolos sagrados que ele empunharia? Novamente, poderíamos utilizar vários símbolos conhecidos e genéricos (talvez a fonte Zapf Dingbat?), mas sacrificaríamos grande parte da textura do jogo.

Finalmente, acabamos criando um novo panteão. No início, usamos alguns dos deuses da 3ª Edição como nomes de reserva — achávamos que criaríamos novos nomes para [Pelor] o deus do sol e [Moradin] o deus da forja. No final, decidimos que era melhor utilizar alguns rostos familiares em vez de fornecer uma lista inteira de novos nomes para os jogadores aprenderem. Além disso, se uma divindade se parece com um elfo e arrancou o olho do deus dos orcs, como um deus dos elfos bem conhecido atualmente, porque não chamá-lo de Corellon?


Corellon:
O deus dos elfos é um bom exemplo de uma entidade que manteve seu lugar mais do que merecido no panteão de D&D. Contudo, não entendam “deus dos elfos” muito literalmente. É claro que com freqüência ele é descrito como um elfo ou um eladrin, e realmente muitos eladrin o veneram. Mas ele também é popular entre os magos humanos e até alguns anões dedicados às artes mais refinadas não hesitam em orar para Corellon.

Um dos nossos objetivos criando este novo panteão era reduzir as associações diretas entre os deuses e as raças, que nas edições anteriores levaram à criação de panteões repletos de deuses elfos, anões, orcs e goblins. Corellon ainda está relacionado às coisas élficas, como a magia arcana e a Agrestia das Fadas, e ele ainda detesta Lolth e os drow. Mas seu alcance foi um pouco mais ampliado.


Bahamut: Eis outro exemplo de um rosto dracônico familiar que se apresentará em um palco ligeiramente renovado. Talvez a responsável seja a classe de prestígio Cavaleiro de Platina, do Draconomicon, mas algo me convenceu há muito tempo que Bahamut seria um deus dos paladinos muito mais legal do que Heironeous. Assim como Corellon, Bahamut não pertence mais somente aos dragões. Ele é o deus da justiça, da proteção e da honra, e diversos paladinos de qualquer raça o veneram.

Muitos dragões metálicos também adoram essa divindade, pois o encaram como o primeiro espécime da raça a qual pertencem. Certas lendas sobre Bahamut o descrevem literalmente como um dragão de platina brilhante, enquanto outras o retratam como uma divindade mais antropomórfica, chamada de Dragão de Platina como um título honroso. Como exorta seus seguidores a protegerem os fracos, libertar os oprimidos e defender a ordem e a justiça, Bahamut é um modelo do ideal dos paladinos.


Bane: Outra divindade que teve o nome de reserva confirmado para a nova edição, apesar de algumas ressalvas. Nós queríamos um deus da guerra maligno no panteão, mas sem a presença de Heironeous, Hextor não faria muito sentido. Precisávamos de uma divindade altamente militar, cujos templos podem ser encontrados em sociedades que não são malignas, mas que passaram muitos anos em guerra, assim como nas nações dos hobgoblins.

Queríamos um deus que incorporasse exatamente a espécie de ditadura tirânica que Bane apóia em Forgotten Realms. No começo, batizamos essa divindade de Bane apenas como exemplo. Com o tempo, tentamos diversos nomes diferentes e insatisfatórios. Finalmente, alguém disse que deveríamos continuar a chamá-lo de Bane. Então o nome permaneceu.


Da mesma forma que chocolate e manteiga de amendoim, descobrimos que Bane e Bahamut são dois “sabores” que também são “deliciosos” em conjunto. Isso significa que você terá de usá-los na sua campanha de 4ª Edição? Claro que não! Mas achamos que, quando ver esses deuses em ação nos livros básicos e aventuras prontas, você concordará que eles merecem estar em seus novos lugares de honra no panteão de D&D.

 

  Sobre o Autor

James Wyatt é o Designer Principal de História para D&D e um dos designers chefes D&D 4ª Edição. Em mais de sete anos na Wizards of the Coast, ele escreveu ou co-redigiu aventuras e cenários premiados, incluindo Eberron Campaign Setting, City of the Spider Queen e Aventuras Orientais. Seus trabalhos mais recentes incluem Expedition to Castle Ravenloft, Cormyr: The Tearing of the Weave, e The Forge of War. Seu segundo romance de Eberron, Storm Dragon, foi lançado em agosto.


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