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Design & Desenvolvimento: Funções dos PJs
Escrito por Rob Heinsoo
Traduzido por Douglas Ricardo Guimarães

Deixem-me falar sobre meu personagem, Nils, e sobre como ele contribuiu com alguns floreados musicais para os conceitos de função das classes de personagens da 4ª Edição.

Nils não é um personagem de 4ª Edição; ele é meu antigo personagem de 3.5 da campanha de Mark Jessup chamada “Nove Acordes”. Existem nove divindades no mundo pessoal do Mark, uma para cada combinação de tendência. Cada um desses deuses é um grande bardo, cujo prazer individual e poder cósmico fluem através da jactância ritual perante os outros deuses sobre as façanhas inigualáveis de seus adoradores. Talvez esse sistema lhes pareça ainda mais adequado se eu mencionar que Mark é o diretor de marketing da Wizards of the Coast…

Em um mundo como esse, alguém no grupo tem que ser um bardo. Mas quando a escolha das classes de personagem terminou, todos preferiram jogar com um guerreiro, um mago, um ladino ou um clérigo, e ninguém voluntariamente saltou sobre a “granada” do alaúde. Mark ficou desapontado conosco. Eu odeio ver um Mestre chateado, então prometi entrar no caminho do bardo assim que estivesse satisfeito com Nils como um guerreiro.

Quatro níveis de guerreiro brandindo uma espada larga depois, Nils adentrou na trilha do alaúde e flauta. Minhas oportunidades de interpretação aumentaram, já que eu me tornei o porta-voz e o agente de relações públicas do grupo. Mas, nos encontros mais direcionados ao combate do que à interpretação, Nils era forçado à seguir o modelo que os analistas profissionais de basquete chamam de “líbero”, muito “fracote” para a linha de frente ao lado do ranger e do bárbaro e incapaz de realizar os ataques de longa distância do mago.

O grupo de PJs apreciava os bônus da música de Nils, além da ocasional magia velocidade, mas fornecer esses bônus significava que eu perdia pelo menos duas rodadas no início do combate tornando o grupo melhor, sem fazer qualquer outra coisa individualmente, exceto me deslocar pelo tabuleiro. Depois que entrava em combate, eu sobrevivia utilizando criteriosamente o talento Especialização em Combate.

Quando a campanha se resumiu a uma ou duas sessões de jogo por ano, eu havia jogado com Nils durante sete níveis de bardo e adquirido uma perspectiva muito mais clara dos problemas enfrentados pelos personagens de D&D que não se encaixam em um nicho específico. Os guerreiros, ladinos, clérigos e magos ocupam lugares essenciais na ecologia de um grupo de aventureiros, enquanto os bardos são cantores fora do palco, lembrando aos demais sobre os bônus de +1 ou +2 que eles estão fornecendo para os ataques e testes de resistência contra medo.

Quando Andy (Collins), James (Wyatt) e eu definimos a estrutura básica da 4ª Edição, iniciamos com a convicção de que iríamos assegurar que todas as classes de personagem teria uma função crucial no grupo de personagens dos jogadores. Quando o bardo subir ao palco na 4ª Edição, ele terá características de classe e poderes que o auxiliarão a cumprir a função que batizamos de Líder. Ele será um personagem com músicas que ajudarão seus aliados a lutarem melhor e recuperarem pontos de vida, provavelmente se encaixando com facilidade em um grupo que não dispõe de um clérigo, o líder divino quintessencial.

Diferente das suas contrapartes na 3ª Edição, todas as classes Líderes na nova edição serão elaboradas para fornecer benefícios e poderes de cura aos seus aliados sem utilizar quase todas as suas próprias ações “pastoreando” o grupo. Um clérigo que deseje gastar todas as suas ações altruisticamente também conseguirá fazê-lo, mas um que prefira misturá-las com um pouco de combate corporal ou lutar na retaguarda com palavras sagradas e ataques com seu símbolo santificado não será constantemente obrigado a sacrificar suas intenções de infligir dano. Uma certa quantidade de cura fluirá das classes Líderes mesmo quando elas optarem em se concentrar na destruição direta de seus oponentes.

Mas todo grupo precisará de uma classe Líder? Não necessariamente. Será que vale a pena ter mais de um Líder no mesmo grupo? Talvez.

Nós definimos funções cruciais em vez de funções necessárias. A 4ª Edição tem mecânicas que permitem aos grupos funcionarem, e obter sucesso, sem um Líder ou sem um membro das outras três funções. Normalmente, as aventuras serão mais fáceis se o grupo incluir um Líder, um Defensor, um Atacante e um Controlador, mas nenhuma dessas funções é absolutamente essencial. Os grupos que tenham dois ou três membros na mesma função, mas deixem as demais sem cobertura, enfrentarão desafios distintos. Eles também possuirão forças diferentes. Esse é o tipo de experiência que você terá daqui a alguns meses. Antes disso, teremos muito mais para dizer sobre as outras funções.

Um último argumento antes de terminar, já que eu comecei falando sobre Nils. Dessa vez, deixe-me revelar algumas coisas diretamente para o bardo: “Nils, foi legal jogar com você. Mas eu somente o verei novamente em uma futura encarnação e, dessa vez, quando Al-Faregh o mago e Jum o bárbaro estiverem picotando beholders, você estará lutando no mesmo patamar em vez de distribuir Gatorades e entoar o hino nacional”.

 

  Sobre o Autor

Rob Heinsoo nasceu no Ano do Dragão. Ele começou a jogar D&D em 1974 com a caixa marrom original. Mais recentemente, desenvolveu os jogos Three-Dragon Ante, Inn-Fighting, e algumas encarnações do sistema de combate de D&D Miniaturas. Ele é o designer principal da 4ª Edição e chefia a equipe de desenvolvimento de mecânica de D&D.

 
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