| Palestra:
|
"RPG
e Preconceito"
Por
Jaime Cancela e Anderson Gomes,
educadores e editores da Ludus
Culturalis |
| |
Texto
de Valéria Aparecida
Bari
|
Para
Jaime Cancela e Anderson Gomes, o
lazer e entretenimento com a prática
do RPG são visto com preconceito
pela sociedade em geral.
A
imagem pública do jogo é
construída no cotidiano dos
jogadores, produtores e a convivência
em comunidade. Esta imagem fica prejudicada,
em grande parte, com a falta de compreensão
das pessoas sobre o que ocorre em
um jogo ou campanha de RPG. As mídias,
por sua vez, não se preocupam
em pesquisar e esclarecer as pessoas
sobre isso, mas aproveitam todas as
ocasiões em que os jogadores
cometem alguma transgressão,
para tornar o RPG o grande "bode
expiatório".
Destas
informações distorcidas,
aliadas à ignorância
e ao medo do desconhecido, geram o
preconceito contra o RPG, suas publicações
e seus praticantes. Como grande parte
dos jogadores é formada por
adolescentes e jovens adultos, fica
mais fácil para repórteres,
educadores e psicólogos, dentro
do âmbito de sua autoridade
profissional, vincularem o RPG com
a desobediência da lei, a desordem,
aos problemas psicológicos,
do que procurar as verdadeiras razões
pelas quais isso ocorre.
Existem
várias maneiras para fazer
com que o RPG deixe de ser vítima
deste preconceito, começando
pela informação das
pessoas leigas pelos praticantes.
Para isso, é muito importante
que os jogadores procurem primeiramente
estudar melhor o seu hobby. Atualmente,
existem muito mais pessoas leigas
freqüentando as oficinas de RPG
do que os próprios jogadores,
por exemplo.
Também
seria interessante que os jogadores
e escritores sempre se preocupassem
em desenvolver e divulgar aplicações
educacionais do jogo, exaltando as
qualidades positivas que as pessoas
que o praticam já conhecem
tão bem. As políticas
públicas estão favorecendo
a difusão da prática
do RPG, por que é estratégico
para o Brasil que as pessoas se alfabetizem
e se interessem pela leitura de lazer.
A
prefeitura de São Paulo, por
exemplo, tem apoiado as convenções
de RPG há muito tempo e, atualmente,
tem promovido oficinas de RPG em todas
as unidades do CEU, sob a coordenação
da Ludus Culturalis.
Concluindo,
Jaime Cancela afirma que é
muito importante saber conviver e
demonstrar para as pessoas que grande
parte desses preconceitos são
produzidos pela distorção
de fatos e pela falta de informação
geral, que não se deve por
a culpa no preconceituoso, mas nos
esquemas sociais que produzem o preconceito.
A neutralização dessa
situação pode vir de
um comportamento socialmente responsável
e diferenciado dos jogadores, escritores
e editores.