RPG


 

Palestra: "O Despertar do Mago Interior"
Por Alexandre Garzeri, professor e estudioso de esoterismo
 

Texto de Valéria Aparecida Bari

 

A magia faz parte do universo de quase todos os sistemas de RPG, como fator especialmente atrativo e interessante para a composição e atuação dos personagens. Para o Professor Alexandre Garzeri, a importância da magia vai além desta familiarização, já que ajuda o ser humano a pensar e compreender melhor a si mesmo, ao tentar construir uma explicação racional para os eventos e forças desconhecidas que o cercam. Na verdade, ciência e magia se complementam nestas explicações, com métodos e formas de aproveitamento dos resultados diferentes, mas com a produção de conhecimentos de igual valor para a humanidade.

Em geral, os autores de RPG, apesar de não ter um compromisso claro com as escolas de magia, se preocupam em pesquisar e divulgar as suas informações, preservando os conteúdos que devem permanecer em segredo. Ao familiarizar-se com estes universos fictícios, os jogadores estão enriquecendo sua cultura com importantes princípios filosóficos e mitológicos, assim como aprimorando em si próprios o pensamento mágico, que necessitarão para seu autoconhecimento. Na mitologia, estão também codificados muitos conhecimentos esotéricos, que ajudam a compreender as circunstâncias que a humanidade atravessou para chegar à atualidade. As narrativas pré-adâmicas, adâmicas, lemurianas e sobre os atlantis constituem a humanidade como a quinta raça inteligente, assim como representam a supremacia dos acidentes naturais sobre estas inteligências. Estas narrativas ajudam a compreender que a busca espiritual e a aceitação de que a humanidade está inserida e depende dos elementos da natureza são as formas racionais da conquista de um espaço estável da inteligência no planeta Terra.

Para a exemplificação deste pensamento mágico e da organização dos fatos da vida neste sentido, o professor Alexandre Garzeri utilizou a Árvore da Vida, estrutura cabalística básica, que subdivide o mundo vivido e o mundo das idéias segundo simbologias dos elementos ou configuração planetária, através de dez Séfiras. Como se constitui qualquer tipo de linguagem, a magia substitui os próprios elementos invocados para configurá-la por objetos ou desenhos simbólicos:

  • A simbologia do fogo cria o vínculo entre o ser humano e a divindade, sendo representada pelo bastão ou pelas primeiras três Séfiras da Árvore da Vida;
  • A simbologia da água cria um vínculo entre o ser humano e as suas paixões e sentimentos profundos, sendo representada pela taça ou pela quarta, quinta e sexta Séfira;
  • A simbologia do ar cria um vínculo entre o ser humano e a sua própria mente, conectada a uma inteligência maior, sendo representada pela espada ou pela sétima, oitava e nona Séfira;
  • A simbologia da terra cria um vínculo entre o ser humano e seu próprio corpo, sendo representada pelo pentáculo circulado ou pela décima Séfira.

Para "subir" na Árvore da Vida, concentrando as energias dos diferentes elementos a partir do ponto inicial da décima Séfira, o caminho de subida é chamado de "o caminho da serpente", pois é reto, vertical, não necessita de braços ou pernas, mas é trilhado com a mente, na tranqüilidade de uma ascensão. A queda da Árvore, por outro lado, tem um formato sinuoso e acidentado, como um raio, rápida e estrepitosa, representando a descarga "corretiva" de energia celestial.

A Árvore da Vida é um caminho psicológico e mágico, trilhado por meio da fé e da racionalidade. A fé racional, onde as coisas da vida se conectam a uma lógica maior e universal, também chamada Gnose, é a que faz o ser humano realmente se unir à fonte de seus conhecimentos. O professor concluiu sua fala explicando que, no dia a dia, a compreensão deste pensamento pode levar a uma reflexão sobre a magia da vida e da complexidade e beleza de suas manifestações no planeta, sem implicar em um vínculo religioso.


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