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ANDRÉ CARNEIRO

"Sou um camarada cético e fantasista, por isso minha Ficção Científica é equilibrada e não pula para o gratuito."

Assim se auto define o grande homenageado do FANTASTICON 2007, André Carneiro. Aos 85 anos o poeta, cineasta, artista plástico, jornalista e escritor participa de um bate-papo e autografa hoje, dia 08, entre 16h e 18h, na sala 119, o livro Confissões do Inexplicável (Devir). A idade chegou com uma deficiência visual, que não o impediu de escrever e a participar de eventos como este, sobre Literatura Fantástica. Foi através de sua obra que a Ficção Científica do Brasil ganhou notoriedade no exterior. Seus livros foram publicados nos EUA, Alemanha, França e em outros 8 países.

A conversa com André Carneiro começa sobre como se sente de estar aqui, no Colégio Arquidiocesano, como ex-aluno. Ele fala de suas lembranças e revela uma imagem que muitos de nós jamais tiveram sobre São Paulo: "uma cidade engolidora!"

"Vocês sabiam que eu fui interno, estudei num Colégio Marista que ficava num prédio colonial tombado na Av. Tiradentes, em 1933? No ano seguinte os Maristas decidiram construir um melhor (naquele tempo o melhor era o Liceu Sagrado Coração de Jesus), e as obras começaram aqui na Domingos de Moraes. Tudo veio da França. Era tão suntuoso que, eu um menino vindo do interior (da cidade de Atibaia, SP), quando entrei no banheiro, vi como era tudo tão lindo, nem tive vontade de fazer xixi. Achei que era para olhar e fazer isso em outro lugar!"

Perguntado sobre o que gostaria de falar aos que participam dos eventos, responde:
" Pedem para dar um recado. Jamais dou recados! Quero dizer que ora tudo se mistura em minha mente e não posso deixar de recordar detalhes antigos sobre o final da construção deste colégio." André fez questão de desenhar, ignorando suas limitações visuais, com traçado preciso, a localização do Arquidiocesano em meu caderno. Seus traços revelam uma Avenida Domingos de Moraes vazia, com o recém inaugurado Colégio e sua fachada suntuosa. "Não tinha nada mais aqui, apenas alguns prédios na avenida, tudo mais era um deserto. Quando mudamos prá cá , os professores nos levaram para passear, por exemplo no Pacaembu (Estádio Paulo Machado de Carvalho), que tinha apenas aquele grande círculo de concreto e nada mais nas cercanias."

"Isto tudo se mistura ma minha cabeça, são informações conflitantes e paradoxais de uma cidade engolidora como São Paulo.Tenho claro que não existe ninguém aqui que tenha conhecido este prédio como eu, com 85 anos!"


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