Nina

Nina vive um tormento. Cenas de um assassinato não saem de sua cabeça, e ela leva em frente essa loucura. Mas como Nina conseguirá conviver com a culpa? Essa questão move o thriller psicológico "Nina", longa de estréia do diretor pernambucano Heitor Dhalia.

A atriz Guta Stresser vive a protagonista, uma garota desajustada que mora no centro de São Paulo, em um quarto alugado no apartamento de dona Eulália (Myrian Muniz), velha rabugenta e alvo de toda a loucura de Nina. "Nina" é uma livre adaptação do clássico da literatura russa "Crime e Castigo", do escritor Fiódor Dostoiévski (1821-1881), e conta com a participação de Renata Sorrah, Matheus Nachtergaele, Selton Mello e Lázaro Ramos, entre outros.

"O filme começa com Nina em um estado mental deteriorado. É um filme expressionista, é visto do ponto de vista dela. Quisemos fazer um filme mais fragmentado, para o público ter a sensação de estar em uma cabeça doente. Não tem o conforto de uma narrativa que conduz o espectador, do tipo hollywoodiana", explica Heitor.

"Ela é uma menina que não tem grana, que está passando fome, que vive em um mundo exterior hostil e que se volta para o mundo interior dela. É um momento que todo mundo teve na vida, de mergulhar na própria subjetividade. Na adolescência há muito disso. Negar a realidade e mergulhar no próprio universo."

Nina sofre horrores na mão de dona Eulália: sem dinheiro para pagar o aluguel, passa fome e chega até a comer ração de gato. Sua vontade de matar a velha é imaginada por meio de desenhos sombrios do cartunista Lourenço Mutarelli.

"Quando veio a idéia de fazer o filme, veio-me uma coisa de mangás japoneses. O Lourenço já teve problemas psicológicos como a Nina e foi muito influenciado por Dostoiévski, por esse estado sombrio e expressionista. É interessante, porque 'Nina' foi feito antes de 'Kill Bill', de Quentin Tarantino, que também usa este recurso de animação no filme.

 

 

 


     


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