Jesus
Kid
O
livro Jesus Kid nasceu de um desejo de Heitor Dhalia (diretor
do filme Nina) em realizar um filme de baixo orçamento.
Daí surgiu este novo romance do premiado Lourenço
Mutarelli, sobre um escritor de livros de western, Eugênio
(alter-ego do autor e uma auto-ironia) que atravessa uma fase
difícil. Seu personagem mais famoso, Jesus Kid, está
indo mal de vendas. Neste momento, aparece o que poderia ser a
sua salvação. Ele é contratado por um produtor
e um diretor de cinema para escrever um roteiro de filme. O único
problema é que ele tem que escrever este roteiro dentro
de um hotel luxuoso, do qual, por contrato, não pode sair
por três meses.
A
partir desta premissa absurda, Mutarelli constrói uma crítica
ácida ao mercado editorial, e sobretudo, ao cinema. Ele
revela de maneira engraçada, as fraquezas, mesquinharias
e ambições mal disfarçadas de uma atividade
que mescla arte e dinheiro como nenhuma outra. Esta combinação
explosiva é o material que Lourenço maneja em Jesus
Kid.
Diálogos
brilhantes à la Tarantino, um universo que lembra Barton
Fink, dos Irmãos Coen, um escritor atormentado pela falta
de dinheiro, como em Crepúsculo dos Deuses e um cowboy
viril e mal-encarado, que poderia ter saído de um filme
de Sérgio Leone. Tudo isso, e mais um bocado de Mutarelli,
faz de Jesus Kid uma crítica fiel e divertida ao cinema,
uma arte que nos dá, ao mesmo tempo, o lixo e o sublime.
Jesus
Kid é um livro cortante. Como seu autor. Aqui também
temos três homens em conflito: O Bom, o Mau e o Feio. O
difícil é saber quem é quem. Porque, na verdade,
nós somos todos eles.
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