Este
livro reúne uma seleção de
desenhos que publiquei em diversos jornais e revista
do país, ao longo dos últimos 30
anos. Utilizando a linguagem do humor, as charges
retratam os fatos mais marcantes da história
recente do Brasil e estão acompanhadas
de um texto explicativo, para sua melhor compreensão.
À exceção das ilustrações
sobre a década de 60, todos os desenhos
foram realizados e publicados na época
mesma em que os fatos aconteceram.
Publiquei minha primeira charge política
em 1977, nas páginas do "Pasquim",
o conhecido jornal de humor que agitou o jornalismo
brasileiro nos anos 70 e 80. Foi Henfil quem me
convidou para colaborar com o semanário
carioca. Tinha eu então
14 anos e o jornal era impróprio para menores
de 16 anos.
A leitura do "Pasquim" e a breve convivência
com Henfil, um dos mais importantes cartunistas
políticos do país, à época
morando em Natal, levaram-me para a charge política.
Mas não só. O Brasil vivia uma conjuntura
politicamente intensa. Era época da abertura
e os movimentos sociais retomavam à cena.
Organizava-se o movimento da Anistia, que pedia
a libertação dos presos políticos
e a volta dos exilados. Os estudantes saíam
às ruas para reivindicar a legalização
da UNE. No ABC paulista, os metalúrgicos
desafiavam o regime autoritário com greves
e moblizações.
O
"Pasquim" deixava de ser submetido à
censura prévia, apesar de ter várias
edições apreendidas. Naquela nova
realidade, surgem novos jornais da chamada imprensa
alternativa. É o caso do "Em Tempo",
semanário paulista, no qual colaborei de
1979 a 1982. Ou a "Voz da Unidade",
que passa a circular em 1980 como o jornal oficioso
do proscrito PCB, já então de posições
políticas moderadas. Na "Voz",
publiquei de 1982 até o fechamento do jornal,
no início dos anos 90.
Ainda
em 1976, havia começado a trabalhar no
diário natalense " Tribuna do Norte",
desenhando charges esportivas. O jornal, cujos
diretores tiveram os direitos políticos
cassados, se engaja na campanha da Anistia, no
movimento das Diretas e na eleição
de Tancredo Neves e abre espaço para o
meu trabalho de cartunista político.
As
melhores charges desse período estão
aqui reunidas nos quatro primeiros capítulos.
Depois
de uma breve passagem pelo "Diário
de Natal", fui estudar na então Tchecoslováquia.
De 1989 a 1992, freqüentei o atelier de artes
gráficas da Escola Superior de Artes Industriais
de Praga. Foi um período não só
de aperfeiçoamento técnico, como
também de amadurecimento político.
Tive oportunidade de acompanhar os debates que
se seguiram à queda do muro de Berlim,
à derrocada do"socialismo real"
e à dissolução da União
Soviética. Refiz meus conceitos políticos.
De
volta ao Brasil, radiquei-me em São Paulo
e passei a publicar nos jornais do grupo Folha.
Inicialmente nos cadernos regionais da "Folha
de S. Paulo", depois com passagens no primeiro
caderno e no "Cotidiano", com a coluna
"Ribalta". A partir de junho de 1993,
tornei-me o chargista da primeira página
da extinta "Folha da Tarde" e, a partir
de 1999, do "Agora São Paulo".
Uma
seleção dos desenhos desse período
ilustram os três últimos capítulos,
mais alguns trabalhos publicados na revista "Bundas"
e no "Pasquim21", ambos editados por
Ziraldo.
Durante
estes 30 anos, tive como matéria-prima
as mazelas do Brasil: o autoritarismo político,
a falta de transparência dos poderes públicos,
a corrupação, a desiguladade social,
a baixa renda da maioria dos braisleiros, as crises
econômicas. Ao longo das três décadas,
as principais forças políticas do
país ocuparam o poder central. Algumas
delas contavam com minha simpatia de cidadão.
Mas o chargista não nutre simpatias. É
adepto do ditado "perco o amigo, mas não
perco a piada".
Espero
que tenha bom proveito, caro leitor.
-Cláudio
de Oliveira-
São
Paulo, abril de 2007

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