2031. As intervenções humanas sobre o clima foram longe demais. Personagens idiossincráticos e irreverentes se reúnem no sertão árido do Texas e do Oklahoma para enfrentar a maior de todas as tempestades, páreo duro até mesmo para os mais corajosos caçadores de tornados. As informações que coletarem podem lançar luz sobre o nascimento de um fenômeno que pode se tornar um fato permanente da atmosfera do planeta – uma tempestade fixa como a Grande Mancha Vermelha de Júpiter –, transformando para sempre a vida na Terra.
Quem gostou do filme Twister tem em Tempo Fechado uma versão mais realista, mais violenta e mais futurista de um grupo de caçadores de tornados em busca do “Santo Graal” das tempestades: um megatornado F-6, capaz de arrasar uma cidade em poucos minutos, ou de arruinar a atmosfera para sempre.
É o que o cientista Jerry Mulcahey acredita, e com ele a Trupe Intempestiva, grupo de hackers, rebeldes e desajustados que o segue numa corrida suicida high-tech, até a beira do fim do mundo. A milionária Jane Unger, namorada de Mulcahey, tem tudo sob controle na Trupe Intempestiva, até seu irmão Alex ser integrado ao bando. Um alérgico crônico recém-saído de uma clínica clandestina no México, Alex é o típico homem do “Tempo Fechado”, um contexto global de descontrole climático provocado pelo efeito estufa.
Na busca pelo F-6, os dois irmãos estão preparados para tudo – menos o choque com membros de uma conspiração global, em meio ao caos e à desolação da grande tempestade. Escrito quinze anos antes do Furacão Katrina e antes do relatório da ONU que fechou a questão sobre o aquecimento global e as mudanças climáticas causadas pela atividade humana, Tempo Fechado apresenta um vislumbre terrível do que pode vir a ser a nova condição da humanidade no futuro próximo.
— Confira o primeiro capítulo de Tempo fechado —
Comentários da Imprensa
O Robin Hood dos foras-da-lei eletrônicos... Ninguém escreve melhor sobre o fato de que o fantasma da máquina somos nós.
— The Times
Brilhante... Fascinante... Empolgante... Um conjunto completo de emoções fortes.
— The New York Review of Science Fiction
“Momentos marcantes e personagens intrigantes...”
– Publishers Weekly
“Brilhante... Fascinante... Empolgante... Um conjunto completo de emoções fortes.”
– The New York Review of Science Fiction
“Por fim, uma visão de futuro nos chega antes de soar superada... [E]m Tempo Fechado o leitor confronta problemas na ordem do dia, um retrato dos resultados de décadas de destruição do ambiente, caos político e econômico e descaso pela saúde pública, extrapolados para 2031... Sterling retrata gente que pensa, sente e toma iniciativas, mesmo se elas não bastam para salvar o dia.”
– Antonio Luiz M. C. Costa, CartaCapital.
“Sterling é um nome conhecido, sobretudo, no meio [da ficção científica], hábil com os seus códigos, sejam eles tradicionais ou ainda experimentais. ... Os personagens [de Tempo Fechado] são outsiders afinados com universo cyberpunk, movido a alta tecnologia, conspirações políticas, substâncias químicas, sexo e humor negro.”
– Dellano Rios, Diário do Nordeste.
“Em Tempo Fechado, Bruce Sterling colocou o aquecimento global em pauta praticamente uma década antes que o alarme do bom-mocismo político começasse a soar chamando a atenção do mundo para o problema. As questões que o romance levanta estão mais próximas de nós hoje do que em qualquer outro momento histórico; é praticamente um tapa na cara. Sterling faz a contabilidade da nossa dívida para com o meio-ambiente, que a cada dia se torna um pouco mais impagável, e tece a projeção assustadora de um futuro próximo e nada ameno em que nossos filhos terão que administrar o legado desmerecido da nossa irresponsabilidade. Vale como crítica. Vale como aventura.”
– Cristina Lasaitis, autora de Fábulas do Tempo e da Eternidade.
“Tempo Fechado, publicado originalmente em 1994, nos faz lembrar os terríveis tornados que devastaram o sul dos EUA e recentemente as chuvas em Santa Catarina que ceifaram vidas. Mais um aviso da natureza, será mesmo Sterling um profeta, vamos aguardar 2031 para se ter uma idéia ou seria antes.”
– Cadorno Teles, Bigorna (http://www.bigorna.net).
“O autor nos transporta para situações-limite – o furacão definitivo vai varrer do mapa tudo o que encontrar pelo caminho?... Ao descrever uma situação tão extrema, e com verossimilhança, Bruce Sterling na verdade quer nos fazer pensar: até que ponto nossas atitudes, por menores que sejam, estão contribuindo para transformar nosso mundo num lugar inabitável? O que é possível fazer em relação à poluição, ao desperdício de água, de energia, e ao desmatamento, para evitar uma catástrofe?... Divertido, instigante e lúcido, Tempo Fechado é leitura obrigatória para quem se preocupa com o futuro da humanidade, e se dá conta de que ele já começou.”
– Finisia Fideli, Terra Magazine.
Sobre o Autor
A locomotiva intelectual do Movimento Cyberpunk, Bruce Sterling nasceu em Brownsville, Texas, em 1954, mas também passou algum tempo na Índia durante sua infância. Em 1997 esteve no Brasil como Convidado Internacional na v InteriorCon, e passou parte do seu tempo no leste europeu e hoje vive em Turim, Itália.
Escrevendo no seu fanzine Cheap Truths, Sterling galvanizou um grupo de escritores à margem da corrente principal da ficção científica no início dos anos oitenta, e, com o Movimento Cyberpunk, transformou-os no novo centro: John Shirley, Lewis Shiner, e William Gibson. Sterling também foi o organizador da antologia fundamental do movimento, Reflexos do Futuro (Mirrorshades; 1986), tornando o cyberpunk uma referência cultural da década de 1908 e além, dentro e fora do campo da ficção científica.
Seu romance Piratas de Dados (Islands in the Net; 1988) recebeu o John W. Campbell Memorial Award. Sterling recebeu também o Prêmio Hugo de 1997 com a noveleta “O Consertador de Bicicleta” (breve em livro pela Devir) e o Hugo 1999 com “Taklamakan”, outra noveleta. Distraction (1999), um romance, recebeu o Arthur C. Clarke Award 2000. Com William Gibson, escreveu The Difference Engine (1991), ajudando a sedimentar um novo subgênero para a ficção científica — o steampunk, muito em voga na atualidade. Jornalista internacional, escreveu The Hacker Crackdown: Law and Disorder on the Electronic Frontier (1992), e mantém uma coluna na revista Wired. Em 2005, tornou-se o “visionário residente” do Art Center College of Design em Pasadena, Califórnia.
Em 1998, Sterling criou o Movimento do Design Viridiano, para transportar atitudes “verdes” ao campo do design. Demonstrando sua preocupação com o meio ambiente, em Tempo Fechado Sterling também prova que a atitude cyberpunk não está restrita aos grandes aglomerados urbanos.
Entrevista com o Bruce Sterling
O segundo romance de Bruce Sterling publicado no Brasil, Tempo Fechado foi lançado há dois anos pela Devir, de São Paulo.
1· Publicado originalmente em 1994, Tempo Fechado parece ser um livro verdadeiramente antecipatório quanto à mudança climática. Como você vê as transformações na compreensão geral quanto à mudança climática e ao aquecimento global, de lá para cá?
Bruce Sterling: Coisas terríveis que os cientistas então apenas teorizavam, agora se tornaram fatos da vida real que a população em geral vem sofrendo.
Infelizmente ainda estamos nos primeiros estágios dessa crise global. O pior do problema ainda está diante de nós.
2· Com Tempo Fechado você retirou a sensibilidade cyberpunk da mancha urbana e a jogou no mundo rural? Como situaria o romance dentro do conjunto de idéias e atitudes cyberpunks?
Bruce Sterling: Considerando que Tempo Fechado é um romance sobre pessoas que caçam tornados, ele precisa acontecer numa área com um bocado de tornados. Não dá para caçar tornados no centro de Tóquio ou no eixo metropolitano Boston-Atlanta.
Os caçadores de tornados tendem a ser um bando bastante grosseiro e rústico, e por isso compõem um elemento natural para um romance cyberpunk. E Tempo Fechado é definitivamente um romance cyberpunk; todos os personagens principais são rebeldes high-tech, subversivos e desajustados.
3· Tempo Fechado é, em sua maior parte, ambientado no Texas, o estado em que você nasceu. O que o motivou a empregar essa ambientação?
Bruce Sterling: É uma ambientação fácil de alcançar.
Como pesquisa para o livro eu realmente saí e cacei alguns tornados com uma equipe de televisão de Oklahoma. Não apanhei nenhum tornado, mas foi útil observar esse pessoal trabalhando.
4· Atormentado por uma doença respiratória crônica, Alex Unger parece ser um personagem bastante original, na ficção científica. Como ele foi criado?
Bruce Sterling: O conjunto irmão e irmã no livro, que são os personagens detentores do ponto de vista narrativo, foram criados como uma dupla. Temos a irmã, Jane, que é passional, comprometida, energética e convicta no que faz, e temos o irmão mais novo, Alex, que é mais distanciado, cético e quase indiferente quanto à sua própria sobrevivência e à dos outros.
Gosto de usar múltiplos pontos de vista nos livros. Acho que é importante brincar com as suposições e expectativas do leitor. O mesmo vale para os personagens: eles precisam ser desafiados, precisam ser mantidos na corda-bamba, precisam aprender coisas que não sabem, quando o livro começa.
5· Preocupações ambientais ou verdes também estão presentes no Movimento de Design Viridiano que você lançou. Conte-nos algo a respeito.
Bruce Sterling: Acho que já fiz, com o Movimento Viridiano, tudo o que conseguiria fazer como um escritor de ficção científica. De fato, depois de dez anos de experiência com ele, terminei ensinando numa escola de design e escrevendo textos sobre design.
Gostaria de poder dizer que o Movimento Viridiano evitou a crise climática ao estudá-la e ao elevar a consciência das pessoas a respeito do assunto, mas não conseguimos fazer isso. O design verde é atualmente uma idéia muito atraente e está na moda, e temos visto um bocado desse design aparecendo, mas ainda vamos sofrer com a crise.
Por outro lado, tem sido agradável ver o Brasil tomar algumas decisões positivas em termos de política energética. O Brasil tem planícies de cana-de-açúcar e oceanos de álcool; cada vez que alguém se mete numa suja e sangrenta guerra por petróleo, os brasileiros devem dar risada.
6· Você poderia nos dar uma lista dos escritores favoritos de ficção científica da atualidade?
Bruce Sterling: Gosto dos mesmos escritores de ficção científica de que sempre gostei, na maior parte já mortos. É extremamente importante para os escritores profissionais que eles leiam escritores mortos. Quanto mais e melhor você entende o seu próprio tempo e lugar, mais importante se torna desenvolver um alcance que se distancie deles.
Hoje em dia minha tendência é de gastar muito tempo com escritores que escrevem em outras línguas do que o Inglês. Haruki Murakami, Ivan Pelevin, Orhan Pamuk.
7· Que caminhos os seus escritos estão tomando hoje?
Bruce Sterling: Ainda estou escrevendo sobre o Efeito Estufa. A mudança climática tem aparecido em todos os meus romances de ficção científica. Houve um tempo em que ela era uma possibilidade, e agora é uma certeza. Meu novo romance, The Caryatids, é sobre uma sociedade mundial devastada pela mudança climática.
Gosto de ser fantástico e imaginativo, mas luto mais é para ter uma postura honesta.
Outras Informações
Autor: Bruce Sterling
Encadenação: Brochura
Capa: colorida com laminação colorida e orelhas
Miolo: 342 páginas preto e branco, em papel off-set 75 g/m²
Formato: 14,0 cm × 21,0 cm
