O Povo da Névoa

Do Criador de Allan Quatermain e as Minas do Rei Salomão

H. Rider Haggard (1856-1925) foi um dos principais introdutores das histórias de mundo perdido na ficção científica e fantasia. O Povo da Névoa (1894) é um dos melhores exemplos: o aventureiro inglês Leonard Outram busca fortuna na África. Após salvar uma mulher portuguesa da escravidão, ele e seus companheirosencontram o lendário Povo da Névoa e são envolvidos no conflito entre o seu monarca e um culto que adora um gigantesco deus-crocodilo.

“A paixão africana”, através dos tempos, é insubstituível. Talvez até incurável. E os que não tiveram ainda a possibilidade de visitar, in loco, o “continente negro”, alimentam o sonho de fazê-lo algum dia...

Não concretizado este anseio, porém, liberam a imaginação que, na sua incansável fertilidade, os conduzem a viver em reinos fantásticos, como os criados por H. Rider Haggard, ou a participar das incríveis proezas nas selvas de Edgar Rice Burroughs, quando não a reviver as aventuras de E. Hemingway nas alturas do Kilimandjaro.

Mas a África que permanece no anseio de muitos é aquela que cativa um Eça de Queiroz, tornando-o de tal maneira enfeitiçado que, ao verter As Minas do Rei Salomão incorporou a tradução à relação de seus livros e, como tal, usufruindo da projeção da obra do escritor inglês, acrescentou-a ao seu alto prestígio intelectual no mundo das letras, levando o leitor — como o signatário das presentes linhas, cujo primeiro livro que teve em mãos foi exatamente a aventura nas terras de Rider Haggard — a enxergá-la, durante muito tempo, como sendo de autoria do grande autor português.

Essa África, portanto, não é a África de agora, em que seus povos e suas riquezas estão sendo, ainda hoje, metódica e sistematicamente espoliados não só por seus ditadores como pelo capitalismo internacional, e assistindo, ao mesmo tempo, a destruição inclemente de suas populações por epidemias ou guerras intestinas.

A África que enche as páginas de O Povo da Névoa é aquela que Rider Haggard conheceu — e onde viveu parte de sua existência. À realidade vivida, porém, acrescentou sua realidade imaginada, cumprindo, assim, a obrigação que Mario Vargas Llosa estabeleceria posteriormente na sua compreensão de Tirant lo Blanc (in Joanot Martorel, Tirant lo Blanc, trad. de Cláudio Giordano, ed. Giordano, SP, 1998, p. LIV): “A primeira obrigação de um romance é independer-se do mundo real, impor-se ao leitor como uma realidade autônoma, válida por si mesma, capaz de convencer sobre sua verdade graças à sua coerência interna e à sua verossimilhança íntima, e não por sua subordinação ao mundo real”.


H. Rider Haggard
assim procede, magistralmente, ao criar — e como são inúmeros os seus mundos, que emergem de uma incansável e inesgotável imaginação! —, inventando, nas palavras de Lin Carter, “a novela de raças perdidas”, tornando-se, assim, “o mestre imbatível do romance de aventuras e um dos maiores autores fantásticos que o mundo já conheceu”. (Ao leitor curioso, v. The Encyclopedia of Science Fiction, de Clute e Nichols, St. Martin’s Press, NY, 1993, p. 531-533.)

Outras Informações

Autor:H. Rider Haggard
Acabamento: Brochura com laminação e orelhas
Miolo: 352 páginas preto e branco, em papel off-set 75 g/m²
Formato: 14,0 cm × 21,0 cm

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