Uma
História sobre os primórdios das
Revistas em Quadrinhos
O
SONHADOR conta a história de
um rapaz que sonha em trabalhar no mundo das
revistas em quadrinhos nos anos 30. Ao longo
do caminho, ele irá conhecer outros que
compartilham do seu sonho e aqueles que têm
seus próprios sonhos.
Esta ficção,
baseada em elementos reais, captura o drama
e a turbulência da vida nos estúdios
de criação de HQs no momento em
que os fundadores dos quadrinhos davam origem
a uma nova mídia artística. Will
Eisner definiu esta obra como um tipo de romance
gráfico histórico que se passa
nos primórdios da indústria das
revistas em quadrinhos. Trata-se de uma grande
história humana que confirmará
as aspirações do sonhador que
existe dentro de todos nós.
Além disso,
esta obra pode ser encarada como uma "autobiografia
ficcional" do próprio Eisner, na
qual ele conta o surgimento das revistas em
quadrinhos e o "BUM" dos super-heróis,
além de mostrar coadjuvantes como Bob
Kane, Jack Kirby, Lou Fine, George Tuska e outros
do meio editorial americano, tudo com os nomes
devidamente alterados.
Como sempre, o
autor explora os elementos humanos como ninguém
e dá uma injeção de ânimo
e esperança não só a todos
aqueles que almejam uma carreira no mercado
de quadrinhos, mas em todos que têm um
sonho a ser realizado!
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Na melhor das hipóteses,
a sociedade tende a considerar seus sonhadores
com tolerância. Sonhadores caminham pela
vida com um ritmo todo pessoal. Eles tomam decisões
ou se interessam por empreendimentos que, muitas
vezes, parecem ingênuos e duvidosos para
os pragmáticos, que, no fim, prosperam
em oportunidades disseminadas pela fantasia e
devaneios. Esta é a história de
um sonhador. É um passeio ao lado de um
jovem cartunista no início da sua carreira.
É um estudo da esperança e ambição.
Os eventos ocorrem durante uma época em
que os cartunistas encontravam-se num novo campo,
o começo da moderna indústria das
revistas em quadrinhos em meados dos anos 1930.
Era uma época muito
especial. Jovens cartunistas lutando para entrar
nos mercados estabelecidos tinham encontrado uma
nova oportunidade - a mídia dos quadrinhos.
Ali estava um formato de publicação,
na verdade um mutante proveniente das páginas
dominicais de quadrinhos dos jornais, que saudava
a inovação e estava exposto aos
recém-chegados. Os padrões ainda
eram muito baixos - assim como o valor pago por
página desenhada.
Nessa mini-fronteira, muitos
novos estúdios de produção
de revistas em quadrinhos apareceram subitamente
e prosperaram quase que da noite para o dia. Nessas
oficinas, cartunistas, ilustradores e escritores
trabalhavam muitas horas, impulsionados por seus
sonhos... muitos dos quais, com certeza, iriam
se tornar realidade algum dia. Desses ávidos
jovens talentos surgiram os grandes heróis
dos quadrinhos que ainda são viáveis
depois de quase cinco décadas.
Hoje em dia, a forma de arte
da história em quadrinhos está começando
a encontrar aceitação crítica
como uma respeitável literatura popular,
e muitos desses criadores, finalmente reconhecidos
mundialmente, estão aproveitando os frutos
do seu trabalho. Mas, nos primeiros anos, eles
não eram muito diferentes dos seus sucessores
modernos que ainda lutam com aspirações
similares, porém numa área já
estabelecida.
A grande diferença
talvez seja o fato de que eles viveram numa época
mágica, sem imaginar que as anedotas que
contavam e as lendas que criaram iriam, um dia,
se tornar parte da história dos primórdios
das revistas em quadrinhos.
O SONHADOR,
embora inicialmente elaborado como uma obra de
ficção, no fim tomou a forma de
um relato histórico. Na narrativa, era
inevitável que os atores se parecessem
com pessoas reais. Seus nomes, entretanto, são
fictícios, e eles são retratados
sem malícia. Tudo isso saiu do armário
desordenado onde guardo os fantasmas do passado,
e das lembranças amareladas da minha experiência.

Flórida, 1986

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