O período de tempo ao qual pertence a chamada Era Moderna dos Quadrinhos é difícil de ser definido, uma vez que ainda estamos passando por ele. Também chamado de Era de Ferro ou Era Sombria (ou Era Negra), podemos dizer que esse “movimento” teve início no final dos anos 80, com o encerramento da maxi-série Crise nas Infinitas Terras em 1986, que fechou o capítulo da Era de Bronze, e a publicação de duas obras emblemáticas dos quadrinhos atuais: Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons, e Batman: O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller.
Alguns eventos durante a Era de Bronze também foram definitivos para o “amadurecimento” dos quadrinhos de super-heróis, como, por exemplo, alguns trabalhos de John Byrne nas séries da Tropa Alfa e do Quarteto Fantástico; a seqüência genial do Demolidor produzida por Frank Miller; e algumas histórias dos X-Men escritas por Chris Claremont, que popularizaram definitivamente o Wolverine entre os leitores do mundo todo.
Outro fator importante para a Era Moderna foi o crescimento das editoras independentes e sua aceitação pelos leitores. Assim, escritores e desenhistas que haviam conquistado fama e respeito nas poderosas Marvel e DC, buscaram seu espaço em editoras menores que, além da liberdade criativa, ofereciam algo inédito até então: os direitos autorais das obras pertenceriam aos autores, que também receberiam uma porcentagem das vendas de cada revista. Essa novidade, aliada à chance dos quadrinistas poderem publicar histórias que certamente seriam censuras e vetadas nas editoras de grande porte, deu um novo impulso criativo ao meio.
Quem saiu ganhando com isso foram os leitores. Séries incríveis como Miracleman, de Alan Moore; American Flagg!, de Howard Chaykin; Jon Sable, de Mike Grell; GrimJack, de John Ostrander e Timothy Truman; e tantas outras, sacudiram o mercado e forçaram as editoras Marvel e DC a mudarem sua postura editorial, abrindo espaço para quadrinhos mais adultos e sem censura.
A Marvel já havia dado o primeiro passo com a espetacular revista de antologia Epic Illustrated (de 1980 a 1986), que, sob a batuta do escritor e editor Archie Goodwin, rivalizava com a própria Heavy Metal! Em seguida, Goodwin criou o selo editorial EPIC, que lançou obras fantásticas como Dreadstar, de Jim Starlin; Moonshadow, de J. M. DeMatteis, Jon J. Muth e Kent Williams; Groo, de Sergio Aragonés; etc.
A DC respondeu algum tempo depois com o selo Vertigo, que, embora tenha surgido oficialmente em 1993, teve seu conceito semeado anteriormente por outras séries: Swamp Thing (1984), de Alan Moore; HellBlazer (1988), de Jamie Delano; Animal Man (1988) e Doom Patrol (1989), de Grant Morrison; e The Sandman (1989), de Neil Gaiman; e Shade, The Changing Man (1990), de Peter Milligan e Chris Bachalo. Exemplos da chamada “invasão britânica” dos quadrinhos americanos, esses títulos prepararam o terreno para a Vertigo, que, durante muito tempo, foi sinônimo de quadrinhos adulto.
Voltando ao terreno dos super-heróis, outro marco na Era Moderna foi a criação da Image em 1992, uma editora independente criada pelos expoentes artísticos da Marvel:Todd McFarlane, Jim Lee, Rob Liefeld, Marc Silvestri, Erik Larsen, Whilce Portacio e Jim Valentino. Durante bastante tempo, os títulos da Image foram rotulados como medíocres, pois ofereciam apenas visuais fantásticos, mas não tinham conteúdo algum. É meio difícil negar isso, pois a primeira onda da Image não tinha realmente muito a oferecer além de desenhos bonitos. Felizmente, hoje isso mudou!
Bom, a Era Moderna ainda não terminou. Neste exato momento, algum roteirista doido pode estar criando alguma obra que irá revolucionar totalmente as HQs e dar início a uma nova Era. Até lá, divirta-se com as últimas histórias do Supremo escritas por Alan Moore. Boa leitura!
Boa leitura!
- Leandro Luigi Del Manto
Editor

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