Devir

















































































     Supremo: A Era de Bronze

Finalmente no Brasil as tão esperadas histórias inéditas do Supremo!

Considerado por muitos como o melhor escritor de quadrinhos de super-heróis da atualidade, o inglês ALAN MOORE nos presenteia com a fabulosa saga de SUPREMO, uma homenagem ao mito do Superman, desde sua criação até os dias de hoje, numa verdadeira viagem no tempo pelos grandes eventos que marcaram a história dos quadrinhos!

Resgatando a essência e o visual das saudosas HQs do início os anos 70 até a segunda metade dos anos 80, este terceiro livro (de uma coleção de quatro volumes) é o seu guia numa jornada Inesquecível pelo gênero dos super-heróis!

Além das tão aguardadas histórias do personagem nunca antes lançadas no Brasil, a maior parte desenhada por Chris Sprouse (o desenhista principal de TOM STRONG), esta edição traz inúmeros bônus, como uma galeria de esboços do desenhista; uma seqüência de tiras do herói ilustradas por RICK VEITCH como se tivessem sido publicadas nos anos 50 fazendo uma homenagem à King Features Syndicate e a clássicos como Popeye, Brucutu e Ferdinando; e uma versão de uma das histórias de flashback (desenhada nesta edição por MELINDA GEBBIE, da série LOST GIRLS) ilustrada por outro artista para que os leitores vejam as diferenças de estilo e lay-outs sobre um mesmo roteiro.

Sem dúvida alguma, SUPREMO: A ERA DE BRONZE é uma edição feita para colecionadores!

Vencedor do Prêmio Eisner de Melhor Escritor de 1997.

Supremo, de Alan Moore, é um exercício de como escrever 50 anos do Superman de modo que signifique algo.
    - Neil Gaiman

 

Prefácio


Esbarrando na Era de Bronze

Quando queremos citar ou simplesmente relembrar algo, recorremos aos vários períodos da História. A Pré-História, a Idade Média, a 2a Guerra Mundial, a Guerra Fria, e por aí vai. Nos quadrinhos também há uma série de períodos que determinam estréias e mudanças marcantes. Assim, existe um consenso de que a história dos quadrinhos como os conhecemos hoje (principalmente os de super-heróis) foi dividida em quatro fases: Era de Ouro, Era de Prata, Era de Bronze e Era Moderna.

É lógico que o momento exato onde começa ou termina qualquer uma delas está sempre rodeado por muita discordância. Se quiserem por todas as maneiras que a História nos diga que o criador das HQs foi o americano Richard Felton Outcault (1863-1928), com o seu bastante rudimentar Menino Amarelo (The Yellow Kid) em 1896, como ficam tantos outros precursores como o talentoso pintor e cartunista inglês William Hogarth (1697-1764), que satirizava a realeza britânica no século XVIII e plantou as sementes do que consideraríamos as bases do que são as HQs?

Ou, talvez, o alemão Wilhelm Busch (1832-1908), criador de Juca e Chico (Max und Moritz), um divertidíssimo livro com ilustrações legendadas publicado originalmente em 1865 (e traduzido no Brasil por Olavo Bilac!) e que serviria de inspiração para Os Sobrinhos do Capitão (The Katzenjammer Kids), tira criada pelo imigrante alemão Rudolph Dirks (1877-1968) e lançada nos jornais americanos no final de 1897 (com todos os elementos que definem uma legítima HQ!)... E o atrapalhado Ally Sloper, criação do inglês Charles Henry Ross (1842-1897), que apareceu pela primeira vez nas páginas da revista de humor inglesa Judy em 1867? Temos o suíço Rodolphe Töpffer (1799-1846), com sua Histoire de Monsieur Jabot, criada em 1831 e publicada pela primeira vez em 1833, graças à insistência do grande escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832), um de seus muitos adimiradores na Europa. Ah! E que tal o italiano Angelo Agostini (1833-1910), que, em 30 de Janeiro de 1869 publicou Nhô-Quim, ou Impressões de Uma Viagem à Corte, considerada a primeira história em quadrinhos brasileira e (quem sabe?) do mundo?

Viu só? Controvérsia é a única unanimidade quando se trata em eleger o criador, o precursor ou o começo ou fim de algo! Mas como é que funciona essa divisão das Eras nos quadrinhos de super-heróis?

Bom... O começo da Era de Ouro se deu com a publicação de Action Comics # 1 em 1938, com a estréia de Superman, o primeiro super-herói dos quadrinhos criado pelo escritor americano Jerome “Jerry” Siegel (1914-1996) e pelo desenhista canadense Joseph “Joe” Shuster (1914-1992). O sucesso do Homem de Aço foi estrondoso e o mercado americano recebeu uma enxurrada de super-heróis de todo tipo. A década de 40 não foi diferente e assim foi até, mais ou menos, a metade dos anos 50. Praticamente todos os super-heróis importantes que conhecemos hoje foram concebidos nesse período. Aí vai uma pequena lista dos personagens surgidos nessa época: Aquaman, Arqueiro Verde, Batman, Besouro Azul, Canário Negro, Capitão América, Capitão Marvel, Dr. Meia-Noite, Dr. Oculto, Espectro, Flash (Joe Ciclone), Gavião Negro (Hawkman), Homem-Bala, Homem-Borracha, Lanterna Verde (Alan Scott), Mulher-Maravilha, Namor, Pantera, Robin, Sandman, Sr. Destino, Starman, Superboy, Tocha Humana (o andróide), Tio Sam, Vigilante, Visão e Zatara (só para citar alguns).

Podemos dizer que a Era de Ouro (mais especificamente 1938 e 1939 e toda a década de 40) foi a gênese de tudo. No entanto, os anos que sucederam a 2a Guerra Mundial presenciaram o declínio do gênero de super-heróis nos quadrinhos. Até então, as histórias eram bastante ingênuas e não iam muito além da fórmula “surge ameaça + alguém em perigo + super-herói aparece = final feliz da história”.

Foi então que os quadrinhos de terror, crime e suspense ganharam força, culminando com um movimento de “moralização” da juventude americana através do psiquiatra alemão (depois naturalizado americano) Dr. Fredric Wertham (1895-1981) e a publicação de seu livro Seduction of the Innocent (Sedução do Inocente) em 1954, em pleno Macartismo, um período de forte sentimento anticomunista nos EUA liderado pelo Senador Joseph McCarthy (1908-1957). Praticamente qualquer pessoa envolvida com criação (literatura, cinema, música, quadrinhos) era suspeita de alguma coisa, até que se provasse o contrário! Assim, naquele mesmo ano da publicação do livro do Dr. Wertham foi criado o famigerado Comics Code Authority (mais conhecido aqui como o Código de Ética dos Quadrinhos) para regulamentar o conteúdo das revistas em quadrinhos e censurar qualquer material que pudesse levar um jovem a ter pensamentos imorais e anti-americanos. As vendas despencaram, as histórias ficaram ainda mais banais e muitas editoras fecharam suas portas. Assim, com certeza, 1954 pode ser considerado como o fim dos “anos dourados” das HQs. Apesar disso, ainda podemos dizer que seu derradeiro suspiro se deu em 1956, com o lançamento de uma revista que marcaria o começo da Era seguinte.

Em Outubro de 1956, os leitores foram pegos de surpresa com a publicação da revista Showcase # 4, que trazia em sua capa uma nova versão do Flash (Barry Allen) bastante diferente de seu precursor dos anos 40. Criado pelos escritores Gardner Fox (1911-1986) e Robert Kanigher (1915-2002) e o desenhista Carmine Infantino (1925-) este novo Flash foi o primeiro super-herói a ser remodelado para a nova geração de leitores dentro de um plano de revitalização encabeçado pelo lendário Editor da DC Comics Julius Schwartz (1915-2004). Grande fã de ficção científica, Schwartz injetou vários elementos desse gênero na nova safra de super-heróis. Dentro desse conceito, em Showcase # 22 (Outubro de 1959), chegou a vez no novo Lanterna Verde (Hal Jordan), criado por pelo escritor John Broome.(1913-1999) e pelo desenhista Gil Kane (1926-2000). Outro “renascimento” de heróis que marcou a Era de Prata foi a Liga da Justiça, uma nova versão da Sociedade da Justiça da Era de Ouro, que estreou em The Brave and the Bold #28 (Março de 1960), escrita por Gardner Fox e desenhada por Mike Sekowsky (1923-1989), reunindo os maiores heróis da DC numa só revista.

Essa fórmula de novas versões de personagens clássicas aliada aos roteiros sempre cheios de aventura e elementos de ficção científica foi uma tacada de gênio de Julius Schwartz que, juntamente, com o talento de Mortimer Weisinger (1915-1978), o editor da linha de revistas do Superman nesse período, levou a DC Comics a um de seus melhores momentos editoriais. Outro evento que merece ser lembrado é a concepção de Schwartz do que chamamos hoje Multiverso, os diversos universos paralelos dentro da DC Comics. A porta a isso tudo se abriu com a clássica história “Flash de Dois Mundos”, produzida pela dupla Fox-Infantino e publicada originalmente na revista The Flash #123 (Setembro de 1961). Barry Allen, o Flash da Era de Prata, acaba encontrando Jay Garrick, o Flash da Era de Ouro, numa aventura em que os leitores descobrem que existia, pelo menos, outra Terra muito similar a deles em que os heróis começaram a atuar desde os anos 30... Depois, praticamente todo herói da Era de Prata acabou encontrando sua contraparte antiga na Terra-2. E depois vieram muitas outras Terras...

No entanto, o reinado da DC estava começando a ser ameaçado com a chegada dos “filhos do átomo” e de uma das maiores parcerias criativas dos anos 60: Stan Lee (1922-) e Jack Kirby (1917-1994). Graças a essa dupla podemos dizer que dentro da Era de Prata existe a chamada “Era Marvel”, com o surgimento de alguns super-heróis mais populares de todos os tempos: Homem-Aranha, Quarteto Fantástico, Hulk, Homem de Ferro, Thor, X-Men, Demolidor, Vingadores e a volta Capitão América. Com histórias repletas de ação e fundamentos científicos (a maioria dos personagens havia adquirido seus poderes devido a mutações causadas por radiação ou experimentos científicos), essa nova safra de personagens trazia consigo histórias mais humanas. Era chegada a hora dos super-heróis enfrentando problemas pessoais, como falta de dinheiro, racismo, conflitos amorosos, e por aí vai... Em pouco tempo, a Marvel Comics tornou-se a grande adversária da toda poderosa DC Comics.

A resposta da DC veio com Green Lantern # 76 (Abril de 1970), quando o escritor Denny O'Neil e o desenhista Neal Adams (1941-) iniciaram uma série de histórias de apelo social em que o Lanterna e o Arqueiro Verde viajam pelos EUA e confrontam problemas mais reais como drogas e racismo, em pleno Movimento da Contra-Cultura. O´Neil e Adams também seriam responsáveis pelo teor mais sombrio nas histórias de Batman, que passou a atuar sozinho após um desentendimento com seu pupilo Robin.

The Amazing Spider-Man #s 96 a 98 (Maio a Julho de 1971), de Stan Lee e Gil Kane, apresentou um arco de histórias em que Harry Osborn, um amigo próximo do Homem-Aranha, enfrenta os piores efeitos do uso das drogas. Essas edições foram publicadas sem o selo do “Código de Ética” em suas capas. Isso foi importantíssimo para que as regras de censura começassem a cair por terra.

Então, a Era de Prata finalmente chega ao fim em 1973 com a história “A Noite Em Que Gwen Stacy Morreu”,escrita por Gerry Conway (1952-) e ilustrada por Gil Kane e John Romita (1930-) em The Amazing Spider-Man #s 121 e 122 (Junho/Julho). A morte trágica da namorada do Homem-Aranha era o prenúncio de tempos mais sombrios e violentos...

Da mesma forma que a morte de Gwen Stacy marcou o fim da Era de Prata, ela também serve como o início da Era de Bronze, apesar de muitos acharem que esta teve início com o fim da parceria Lee/Kirby na Marvel e a ida de Jack Kirby para a DC Comics em 1970 para criar o chamado “Quarto Mundo”, uma seqüência de histórias inovadoras e que originou o conceito de cross-overs e maxi-séries. O fato é que a Era de Bronze trouxe mais importância aos personagens das minorias raciais e sociais nos EUA, como Luke Cage (o primeiro super-herói negro a ter sua própria revista), Tempestade (dos X-Men) e Shang-Chi, o Mestre do Kung Fu, entre outros.

As parcerias (team-ups) entre personagens passou a se tornar cada vez mais comuns, assim como as super-sagas. Os novos X-men, apresentados em Giant-Size X-Men # 1 (1975), escrita por Len Wein (1948) e desenhada por Dave Cockrum (1943-2006), tornariam-se os super-heróis mais populares (e rentáveis) da Marvel nos anos seguintes com Chris Claremont (1950-) assumindo como escritor da revista The Uncanny X-Men e Cockrum como desenhista. A entrada de John Byrne (1950-) como novo desenhista e co-roteirista nos proporcionou sagas como a da Fênix Negra e ótimas histórias como “Dias de Um Futuro Esquecido”, levando o título ao estrelato. Na DC, a revista dos Novos Titãs, escrita por Marv Wolfman (1946-) e desenhada por George Pérez (1954-), era tão popular quanto a dos X-Men e histórias como a “Saga de Trigon” e “O Contrato de Judas” são consideradas como algumas das melhores produzidas no período. Essa duas superequipes eram tão populares, que a Marvel e a DC resolveram fazer uma edição crossover chamada Marvel and DC Present The Uncanny X-Men and The New Teen Titans # 1 (1982), trazendo os heróis enfrentando Darkseid e a Fênix Negra numa aventura de tirar o fôlego escrita por Claremont e desenhada por Walt Simonson (1946-).

Aliás, os crossovers entre a Marvel e a DC merecem ser lembrados nesse período: Superman vs. The Amazing Spider-Man (1976), o primeiro crossover oficial entre as editoras mostrando os dois ícones de cada empresa numa história escrita por Gerry Conway e desenhada por Ross Andru (1927-1993), Neal Adams (algumas imagens do Superman) e John Romita (alguns retoques nos personagens da Marvel); Marvel Treasury Edition # 28 (1981), de Jim Shooter (1951-) e John Buscema (1927-2002), trazendo novamente Superman e Homem-Aranha enfrentando o Parasita e o Dr. Destino, com direito a participações da Mulher-Maravilha e do Hulk; e DC Special Series # 27 (1981), de Len Wein e José Luis García-Lopez (1948-), mostrando Batman e Hulk enfrentando o Coringa e o Figurador.

O fim da Era de Bronze geralmente é aceito pela grande maioria de estudiosos e fãs como sendo a publicação de duas maxi-séries de 12 partes: Guerras Secretas (Secret Wars) e Crise nas Infinitas Terras (Crisis on Infinite Earths). A primeira, publicada pela Marvel entre Maio de 1984 e Abril de 1985, foi escrita por Jim Shooter e desenhada por Mike Zeck (1949-) e mostrava alguns de seus principais heróis e vilões transportados para um planeta por um ser chamado Beyonder para lutarem entre si. Embora seu conteúdo seja discutível, o fato é que ela foi um sucesso enorme ajudado por uma coleção de figuras de ação dos personagens lançada pela empresa de brinquedos Mattel. Já Crise nas Infinitas Terras, publicada pela DC Comics entre Abril de 1985 e Março de 1986, foi criada e produzida por Marv Wolfman (história) e George Pérez (desenhos) e serviu de cenário para a editora acabar com todas as Terras paralelas numa saga reunindo praticamente todos os personagens publicados por ela para enfrentar o Anti-Monitor. Muitos personagens morreram (alguns principais, como Flash e Supergirl) e, no término do confronto, restou apenas uma Terra que serviu de ponto de partida para a reformulação de todo o seu universo ficcional.

No final das contas, um único fator que fez parte de toda a Era de Bronze foi o retorno e a presença constante dos grandes vilões, dos arquiinimigos, como que preparando o caminho para a Era Moderna, o período em que os quadrinhos estão até hoje. Portanto, nas páginas a seguir, você verá um pouco do que foi a Era de Bronze através do talento de Alan Moore e seus desenhistas convidados no universo do Supremo. Crossovers, temas científicos, realidades alternativas, a volta de alguns vilões e, é claro, o ponto de partida para o quarto e último volume desta coleção que será sobre a Era Moderna e prestará uma homenagem a um criador dos quadrinhos que praticamente fez parte e influenciou todas as Eras dos quadrinhos.

Boa leitura!

- Leandro Luigi Del Manto
    Editor

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Os Livros da Série


A Era de Ouro

A Era de Prata

A Era de Bronze

A Era Moderna
 
Outras informações

SUPREMO: A ERA DE BRONZE
Formato: 16,5 cm × 24,0cm
Estrutura: 168 páginas coloridas em papel couchê 80 g/m²
História: Alan Moore
Arte: diversos
Editora original: Checker Book Publishing Group