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     Jodorowsky & Moebius

Alexandre JodorowskyAlexandro Jodorowsky nasceu no Chile, em 7 de fevereiro de 1929. Seu avô era um judeu russo que havia fugido da Ucrânia por causa da perseguição. Mas em vez de emigrar para os Estados Unidos, como a maioria dos seus irmãos, ele escolheu se mudar para a ponta mais meridional da América do Sul: o Chile. Ele atravessou os Andes no dorso de uma mula, carregando consigo o primeiro Torá a entrar naquele país. Lá, ele montou uma pequena fábrica de sapatos e mandou buscar o resto da sua família na Rússia. Assim, o pai de Jodorowsky chegou ao Chile com cinco anos de idade.

Durante uma espécie de “corrida do ouro” no norte do Chile, o pai de Jodorowsky se mudou para o norte e se estabeleceu em Iquique, uma cidade portuária não muito longe do Peru e da Bolívia. Lá, ele encontrou uma jovem cantora de ópera, filha de um bailarino russo. Os dois se casaram. Assim, Alexandro Jodorowsky veio ao mundo.

O pequeno Alexandro foi uma criança precoce: aos quatro anos, ele já sabia ler. Logo foi seduzido pelo mundo da literatura francesa de capa e espada e começou a devorar romances de Alexandre Dumas (Os Três Mosqueteiros) e Paul Feval (O Corcunda). Em 1942, a família de Jodorowsky se mudou para Santiago, onde o jovem Alexandro freqüentou a escola. Mais tarde, ele passou dois anos na Universidade de Santiago, especializando-se em Filosofia e Psicologia, mas acabou abandonando os estudos para seguir carreira no teatro. Enquanto estava na Universidade, ele havia trabalhado como palhaço de circo e usou sua experiência para, primeiro, tornar-se um ator de teatro e, depois, criar seu próprio teatro de bonecos. Profundamente admirado com o trabalho de mímica do ator francês Jean-Louis Barrault no filme Boulevard do Crime, de Marcel Carné, ele também lançou sua própria companhia de mímica.

Em 1955, Jodorowsky mudou-se para Paris, onde estudou mímica com o professor de Barrault, Etienne Ducroux. Em seguida, estudou durante seis anos com o mestre da mímica Marcel Marceau. Para Marceau, Jodorowsky criou e escreveu peças de mímica como The Mask Maker, The Cage, The Eater of Hearts e The Sword of the Samurai. Ao longo deste período, Jodorowsky também dirigiu o lendário Maurice Chevalier em um espetáculo solo no Teatro Alhambra. Ele apresentou Michel Legrand às platéias parisienses e trabalhou como diretor para o Teatro Trois-Baudets.

Enquanto estava trabalhando com Marceau, Jodorowsky conheceu um grupo de artistas parisienses que partilhavam um mesmo interesse por questões espirituais, surrealismo, filosofias da nova era e arte. Entre esses amigos recém-encontrados estava o cineasta de vanguarda espanhol Fernando Arrabal e o artista cartunista Roland Topor, cuja visão inspirou o longa de animação Planeta Fantástico (La Planète Sauvage, produção tcheco-francesa, 1973), de Rene Laloux.

Em 1962, os três criaram um movimento cultural que batizaram de Panic, em homenagem ao deus grego Pan. A proposta do movimento era incluir tudo o que os surrealistas abraçavam, além de muitas coisas que eles rejeitavam, como arte pop, ficção-científica, quadrinhos, música rock etc. Jodorowsky escreveu uma série de livros e peças Panic, como El Juego Que Todos Jugamos, Zarathustra, Teatro Panico e Metodo de Filosofia Panica.

Em 1960, ao acompanhar Marceau numa turnê mundial, Jodorowsky descobriu o México. Ele, finalmente, voltou para lá em 1965 para uma longa estada, depois de ajudar a levar ao palco, junto com Arrabal e Topor, um agora famoso “espetáculo” de quatro horas no Centro Cultural Americano de Paris, durante o qual Arrabal dançava ao som de O Lago dos Cisnes, enquanto jogava no chão carne em cima de vidro quebrado.

Jodorowsky passou vários anos frutíferos no México, dirigindo peças teatrais de Ionesco, Strindberg, Arrabal, Shakespeare, Beckett e Nietzsche. Ele também escreveu e desenhou uma tira de quadrinhos semanal, Fabulas Panicas, para um dos principais jornais do México. Em 1967, criou sua própria produtora de filmes, Producciones Panicas, e fez seu primeiro filme, Fandos Y Lis, uma história de amor surreal baseada numa obra de Arrabal. O filme foi selecionado para o Festival de Cinema de Acapulco/1968, mas causou um grande escândalo. Seus ataques contra os valores tradicionais mexicanos quase provocaram o linchamento e a expulsão de Jodorowsky do país.

Em 1970, Jodorowsky escreveu, dirigiu e estrelou seu segundo filme, El Topo. Esta estranha combinação de um faroeste tradicional com adornos de misticismo estreou, um ano depois, no Cine Elgin em Nova York e se tornou um dos principais cult-movies dos anos 70. El Topo foi elogiado por Mick Jagger, Andy Warhol, Dennis Hopper e Sam Fuller.

Na esteira do sucesso de El Topo, Jodorowsky se mudou para Nova York e apareceu no Dick Cavett Show e no Johnny Carson's Tonight Show. Então, ele seguiu em frente para fazer, e estrelar novamente, seu próximo filme A Montanha Sagrada (1973), que mostrava a história de uma busca alquímica pela verdade e imortalidade. O filme teve boa receptividade na Europa, particularmente na França, onde foi recebido com críticas entusiasmadas.

Por volta de 1975, Jodorowsky tinha voltado para França para começar a trabalhar no que pretendia ser sua obra-prima: uma adaptação colossal do premiado romance de ficção-científica Duna, escrito por Frank Herbert. Para a produção desse filme, Jodorowsky reuniu uma equipe inédita de talentosos artistas gráficos: Jean “Moebius” Giraud (que havia recém-criado a revista Metal Hurlant), o ilustrador britânico Christopher Foss e o mestre do horror suíço H.R. Giger. Para cuidar dos efeitos especiais, Jodorowsky tinha contratado o jovem cineasta americano Dan O'Bannon, cujo trabalho em Dark Star o impressionara bastante.

Infelizmente, após dois anos de trabalho árduo, o apoio financeiro exigido para a realização de um projeto de tal magnitude nunca se materializou inteiramente e o filme foi arquivado. Dan O’Bannon foi cuidar de outro projeto cinematográfico, para o qual havia escrito o roteiro, um suspense de ficção-científica chamado Alien, o 8º Passageiro, e conseguiu convencer o seu diretor, Ridley Scott, a contratar Giger e Moebius para a criação dos designs do filme. Em 1979, Jodorowsky voltou ao cinema para dirigir Tusk.

Durante esse período, Jodorowsky manteve sua ligação com Moebius e, em 1978, os dois trabalharam juntos numa história curta de horror chamada Os Olhos do Gato. Dois anos depois, começaram a trabalhar na série O Incal, apresentando aos leitores as aventuras de John Difool.

Desde então, Jodorowsky deu andamento à sua carreira como escritor, trabalhando em vários romances e coletâneas de histórias curtas, incluindo Spiders Without Memories e The Parrots´ Paradise, que recebeu um prêmio de humor francês em 1985.

Na área dos quadrinhos, além de O Incal, Jodorowsky escreveu as aventuras de Alef-Thau, com o artista francês Arno; a série The White Lama, com o artista americano expatriado George Bess (que desenhou as tiras estrangeiras do Fantasma, personagem clássico de Lee Falk); e The Jealous God, com o artista italiano Silvio Cadelo.

Outros projetos realizados por Jodorowsky incluem duas aventuras solos do jovem John Difool, desenhadas pelo artista iugoslavo Zoran Janjetov; Os Meta-Barões, estrelando o personagem Meta-Barão, de O Incal, e os filmes Santa Sangre (1989), The Rainbow Thief (1990) e Los Hijos del Topo (2004).

MoebiusMoebius

Jean Giraud nasceu em Paris no dia 8 de maio de 1938. Seus pais se divorciaram três anos depois e Giraud (mais tarde também conhecido como Gir ou Moebius) foi morar com os avós maternos, onde teve contato com os grandes ilustradores da virada do século, como Gustave Dore e, também, com as histórias em quadrinhos publicadas nos jornais. Durante sua infância já demonstrava uma paixão pelos quadrinhos, copiando personagens das histórias em quadrinhos e criando seus próprios personagens.

Aos 16 anos, iniciou seu único curso técnico na Escola de Artes Aplicadas de Paris. Neste mesmo ano produziu sua primeira tira de quadrinhos: um faroeste chamado Les Aventures de Franck et Jéremie para a revista Far West, uma das muitas revistas editada pela Marijac e conheceu Jean-Claude Mézières, outro fã de histórias em quadrinhos, que lhe abriu as portas para a publicação católica Coeurs Vaillants, onde ele ilustrou várias histórias didáticas e realistas. Dois anos depois foi convocado pelo exército, mas continuou a desenhar para a revista militar 5/5.

Dispensado em 1960, Giraud tornou-se assistente de Joseph Gillain (Jijé) na série de faroeste Jerry Spring. Como ele mesmo admite, esta provou ser a melhor escola de arte que já freqüentou. Em 1961, ele parou de trabalhar com Jijé e começou a fazer História das Civilizações, uma publicação do Estúdio Hachette, onde ficou até 1963, quando criou (com o roteirista Jean-Michel Charlier) uma série de faroeste chamada Fort Navajo, publicada na revista Pilote, que, no seguinte, mudou de título: Lieutenant Blueberry. Em 1963, também colaborava na revista de sátiras Hara-Kiri, onde publicou suas primeiras histórias com o pseudônimo de Moebius. Nesta mesma época, usando seu outro pseudônimo ("Gir"), criou outras histórias em quadrinhos num estilo experimental. Em janeiro de 1973, os alter-egos de Giraud se cruzaram quando a revista Pilote publicou "La Deviation", uma história surreal em preto e branco assinada por Gir, retratando as férias de... Jean Giraud!

Em 1975, junto com Jean-Pierre Dionet, Philippe Druilet e Bernard Farkas, fundou a Humanoïdes Associés e criou a revista Métal Hurlant, onde publicou suas inovadoras histórias de fantasia e ficção-científica, entre elas Arzach e A Garagem Hermética. Neste mesmo ano, Giraud foi contratado por Alexandro Jodorowsky para fazer o desenho de produção da adaptação cinematográfica do romance de Frank Herbert: Duna. Quando o projeto foi engavetado, ele foi trabalhar na produção do filme Alien, O 8º Passageiro. Em 1980, desenhou o story-board de Tron, produção dos estúdios Disney.

Em 1981, junto com Alexandro Jodorowsky, iniciou a saga de O Incal. Ainda nos anos 80, se mudou para Los Angeles e neste período "americano" publicou seus trabalhos antigos numa série de álbuns editados pela Epic Comics. Em 1985, foi para Tóquio e fez o roteiro, os cenários e os figurinos do longa-metragem de animação Little Nemo, adaptação da obra de Winsor McCay. Em 1989, ilustrou uma história do Surfista Prateado escrita por Stan Lee e também produziu uma popular série de pôsteres de super-heróis para a Marvel Comics. Em 1990, colaborou na edição especial da Dark Horse Concrete Celebrates Earth Day. Em 1997, junto com Jean-Claude Mézières, foi responsável pela concepção visual do filme "O Quinto Elemento", de Luc Besson, cujo roteiro é visivelmente inspirado na série O Incal.

Jean Giraud também já realizou vários trabalhos de ilustrações para romances e histórias de ficção-científica e foi o responsável pela edição ilustrada do livro O Alquimista do escritor Paulo Coelho.

É reconhecido ampla e justamente como um dos melhores artistas de histórias em quadrinhos na Europa e no mundo, tendo recebido inúmeros prêmios durante sua carreira.

Publicações

Incal: Volume Um
Incal: Volume Dois

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