Quando
Tom Raney e Randy Elliot desenharam Jenny Sparks
pela primeira vez, ela era exatamente o que
o STORMWATCH e o Século 20 precisavam:
mal-humorada, rodeada por uma névoa de
poluentes, escapando impetuosamente de 1900.
Quando Bryan Hitch e Paul Neary a desenharam
para seu derradeiro ano, ela era o que a virada
do milênio e o AUTHORITY precisavam: atraente,
sarcástica, olhando pra trás com
uma ironia conquistada às duras penas.
Quando John McCrea a desenhou para esta história,
ela era exatamente o que era necessário:
inteligente, consciente, juvenil mas nunca realmente
jovem.
Estou
aqui porque eu criei Jenny Sparks e lhe dei
seu ímpeto exasperado através
do século. E eu a matei, também.
Porque os grandes heróis das Fábulas
tiveram mortes assim como vidas. Robin Hood
dispara sua última flecha para marcar
o local da sua sepultura. As tripas de Cuchulain*
se esparramam pelo chão. Arthur é
levado para Avalon. Jenny Sparks eletrocuta
Deus segundos antes da virada do notório
milênio e então deixa de existir.
Tá legal, isso não tem exatamente
a simplicidade e o romance épico dos
outros, mas eu sou a porra do escritor e vou
executar Deus se eu quiser.
Eu
criei Jenny Sparks e fui o único a descrevê-la
durante seus quase três anos de existência
como personagem. Mark Millar – ou “Greta”,
como as pessoas o conhecem no circuito de shows
do jumento transexual – decidiu que queria
cobrir os outros noventa anos bizarros da vida
dela como contraponto a AUTHORITY, que ele então
escrevia. Por ter soltado esses personagens
nas mãos da comunidade criativa, eu esperei
com fascínio pra ver o que ele faria.
Mark é um dos escritores mais inteligentes
que eu conheço, e também o mais
imprevisível. Pessoalmente, eu não
confiaria nele – nem um tiquinho –
mas como escritor eu vou aonde quer que ele
vá. Criativamente, o cara é frenético
de um jeito irresistível, parecido com
Rasputin – você sabe que o que ele
está fazendo é imoral e doentio,
mas você simplesmente precisa olhar.
Leia
essa maldita história. Ele não
desaponta. Não era o que eu esperava.
O que é justamente o que eu queria.
Jenny
Sparks está morta, mas, como todas as
mulheres de quem você sente saudade, é
ótimo vê-la aparecer para uma última
dança.
Warren Ellis
Southend – Março/2001
(*)
Famoso herói celta do folclore irlandês.