Uma
garota cujo único contato com o mundo
não vai além da visão
da esquina mais próxima. Um vendedor
ambulante de livros que não pode trabalhar
porque chove ininterruptamente. Os mendigos
que matam a fome com pombos. O sertanejo que
se arrasta sob o sol implacável à
procura de água.
O
desenhista enclausurado num cubículo.
Essas e outras tramas que compõem
este álbum têm algo em comum:
a atmosfera asfixiante de uma realidade
cruel contra a qual todos lutam desesperadamente.
São tipos que vivem num universo
claustrofóbico, mas sem portas, paredes
ou grades. Apenas janelas.
É
a aflição de lutar para vencer
um destino que lhes parece intransponível.
Histórias narradas sem texto, criadas
por Gonçalo Junior e ilustradas de
modo espetacular por Júlio Shimamoto,
considerado pela crítica como um
dos mais importantes e originais artistas
gráficos brasileiros do século
XX.
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Formado
em Jornalismo e Direito, Gonçalo
Júnior começou na imprensa
nos anos 80 como editor de fanzines, que
vendia para todo Brasil pelos Correios.
Editou, entre outros, Quadrinhos Magazine,
Livre Cativeiro e Balloon.
Profissionalmente,
trabalhou nos diários Jornal da Bahia,
Tribuna da Bahia, Bahia Hoje e na sucursal
da Gazeta Mercantil. Em São Paulo,
cobriu TV e cinema para o caderno Fim-de-Semana,
da Gazeta Mercantil, entre 1997 e 2003.
É
autor do livro País da TV (Conrad,
2001) e participou da coletânea Glória
in Excelsior, organizada por Álvaro
de Moya (Imprensa Oficial, 2004). Fez incontáveis
roteiros infantis para o Estúdio
Cedraz, de Salvador.
Júlio
Shimamoto estreou como desenhista
de quadrinhos em 1959, na Editora Continental/Outubro.
Entre 1961 e 1964, foi um dos líderes
do movimento pela lei de nacionalização
dos quadrinhos.
Fichado
como comunista e subversivo, refugiou-se
na publicidade depois do golpe militar.
Durante duas décadas, trabalhou em
grandes agências internacionais
Günther Bläser, McCanEricson,
Thompson, Denison, Salles, Alcântara
Machado e Lintas.
Voltou
aos quadrinhos em 1978 e, a partir de então,
colaborou em diversas editoras. Entre elas,
Vecchi, Rio Gráfica e Editora, Grafipar,
Press e Opera Graphica. Seu traço
expressionista e original capaz de
revelar a alma num simples olhar
faz dele um mestre cultuado pela nova geração
de leitores e desenhistas. |