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A Magia nos Reinos Esquecidos
Escrito por Bruce Cordell
Traduzido por Duncan Salazar

 

Mystra

Existe uma infinidade de poderes mágicos e aspectos fantásticos nos Reinos Esquecidos. Segredos arcanos foram e são sussurrados para quem estiver disposto a ouvir durante o movimento milenar dos continentes, nas corredeiras impetuosas dos rios, a cada fôlego das maiores ou menores feras e nos sibilos e lamentos do vento. A magia bruta é a matéria-prima instável da própria criação, a vontade silenciosa e imparcial da existência, infundindo cada pedaço de matéria e se entremeando com cada manifestação de energia em todo o mundo.

Os magos, bruxos, clérigos, feiticeiros, bardos, paladinos e mesmo os ladinos, guerreiros, patrulheiros e outros aventureiros invocam linhas de magia de origem pessoal para lançar efeitos poderosos, firmar pactos com entidades misteriosas, curar ferimentos, gerar proteções contra o mal ou executar proezas físicas que transcendem as capacidades mundanas dos mortais.

Alguns monstros perigosos também invocam magias aterradoras para alcançar seus objetivos maléficos; aberrações criadas através de magias ancestrais se revolvem abaixo da terra e na superfície, sedentas tanto por vítimas quanto por conhecimento, sempre à espreita para se alimentarem. Os dragões, cujo sangue pulsa com a magia, ostentam habilidades tão assombrosas que os próprios deuses e os seres primordiais temem encarar os indivíduos mais antigos dessa espécie imponente. As consciências dos mortos-vivos são sustentadas e seus corpos são protegidos da dissolução por meio de rituais necromânticos poderosos — em especial os liches, cujo aprendizado de conhecimento arcano nunca cessa e já permitiu que mais de um deles confrontasse os desígnios dos deuses.

De fato, a magia é tão abundante em Abeir-Toril que mesmo a terra apresenta paisagens fantásticas. Grandes massas de terra se erguem livremente no ar vazio, fascinando todos que encontram essas demonstrações gloriosas da natureza.

Na verdade, os Reinos eram tão repletos de magia que o mundo se tornou particularmente vulnerável a uma praga que se alimentava da própria magia.


O Ano da Chama Azulada

“Aprendam esta lição: os menores pedregulhos antecedem uma avalanche. Da mesma forma, uma única traição liberou a Praga Mágica, cujas conseqüências ainda são sentidas em Toril e além.”
    — Elminster do Vale das Sombras
        1479 CV, Ano do Eterno

 

Um evento mágico impressionante, batizado de A Praga Mágica, afligiu (e ainda aflige) o mundo em 1385 CV.

Mystra

A despeito de seu nome, a Praga Mágica foi muito mais que uma doença. Para começar, ela não se restringiu a afetar somente a carne das criaturas. Todas as coisas eram alimento para a Praga — a carne, as rochas, a magia, o espaço e possivelmente até o fluxo do tempo — e sua fome era insaciável. O mundo de Toril, seu irmão perdido Abeir, e os próprios planos de existência foram infectados com a doença da mudança.

A maioria dos estudiosos pressupõe que a Praga Mágica foi o resultado direto do assassinato da deusa da magia pelo deus Cyric. Alguns sussurram que a morte de Mystra somente foi possível devido às maquinações da deusa Shar, sendo Cyric apenas uma marionete involuntária desses planos.

Essa teoria afirma que a magia do mundo estava aprisionada há tanto tempo pela Trama de Mystra que, quando a Tecelã foi destruída, a própria magia rompeu seus grilhões espontânea e desastrosamente. As áreas de magia selvagem, que já existiam além das restrições da Trama, inicialmente se libertaram quando suas fronteiras desapareceram de súbito. Com o tempo, entretanto, pouquíssimas regiões de Toril e dos planos além não foram afetadas.

A praga se estendeu cada vez mais em espirais mais amplas, deixando alguns lugares completamente intocados (como grande parte das terras do norte de Faerûn, inclusive Cormyr e a Costa da Espada) e alterando radicalmente outros (como Mulhorand, Unther e as regiões do sul). A praga ingressou no reino dos demônios, dos deuses e das almas perdidas — dividindo alguns, reunindo outros e propagando o caos sem distinção.

Reinos quase míticos, que estavam praticamente inalcançáveis, foram arrastados de volta: um exemplo é a Agrestia das Fadas (outrora chamada de Faerie). A morada dos demônios despencou através da estrutura cosmológica, propagando ondas de malevolência antes que o Abismo se assentasse no seu novo lar, abaixo do Caos Elemental.

Mesmo o esquecido mundo de Abeir foi incinerado pela praga das magias, embora fosse impossível alcançá-lo e ele estivesse separado de Toril há dezenas de milênios. Pedaços das paisagens de Abeir foram transportadas para as regiões de Toril em meio ao desastre. Alguns locais incluíam suas populações originais, ainda vivas; dessa forma, lugares como Akanûl e Tymanther existem atualmente como se tivessem “renascido” na superfície de Faerûn. Nas águas do Mar Sem Rastros, um continente inteiro do planeta perdido ressurgiu (e foi batizado de Nova Abeir), submergindo o continente de Maztica.

A Praga Mágica foi um agente direto e irrefreável de mudanças, mas também desencadeou uma seqüência de catástrofes secundárias.


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